O meu medo é entrar na faculdade e tirar zero eu que nunca fui bom de matemática fraco no inglês eu que nunca gostei de química geografia e português o que é que eu faço agora hein mãe não sei. […]
O meu medo é a vida piorar e eu não conseguir arranjar emprego nem de faxineiro nem de porteiro nem de ajudante de pedreiro e o pessoal dizer que o governo já fez o que pôde já pôde o que fez já deu a sua cota de participação hein mãe não sei.
O meu medo é que mesmo com diploma debaixo do braço andando por aí desiludido e desempregado o policial me olhe de cara feia e eu acabe fazendo uma burrice sei lá uma besteira será que eu vou ter direito a uma cela especial hein mãe não sei.
FREIRE, M. Contos negreiros. Rio de Janeiro: Record, 2005.
Nesse texto, a reiteração dos medos e das angústias do narrador exprime
A) inseguranças sobre o futuro familiar.
B) dilemas resultantes de seu fracasso escolar.
C) incertezas centradas em sua condição social.
D) hesitações em relação à sua formação profissional.
E) preocupações com as políticas públicas assistenciais.
Resolução
A repetição de “o meu medo é” encadeia angústias que vão do desempenho na faculdade ao desemprego e à violência policial. Todos esses temores convergem para um ponto comum: a vulnerabilidade imposta pela condição social do narrador, que antecede e determina cada uma dessas incertezas.
Alternativa C




