{"id":11432,"date":"2024-09-02T11:15:31","date_gmt":"2024-09-02T14:15:31","guid":{"rendered":"https:\/\/xequematenem.com.br\/blog\/?p=11432"},"modified":"2024-09-02T11:15:32","modified_gmt":"2024-09-02T14:15:32","slug":"questao-17-enem-2021","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xequematenem.com.br\/blog\/questao-17-enem-2021\/","title":{"rendered":"Quest\u00e3o 017 &#8211; Enem 2021"},"content":{"rendered":"\n<p>A hist\u00f3ria do futebol brasileiro cont\u00e9m, ao longo de um s\u00e9culo, registros de epis\u00f3dios racistas. Eis o paradoxo: se, de um lado, a atividade futebol\u00edstica era depreciada aos olhos da &#8220;boa sociedade&#8221; como profiss\u00e3o destinada aos pobres, negros e marginais, de outro, achava-se investida do poder de representar e projetar a na\u00e7\u00e3o em escala mundial. A Copa do Mundo no Brasil, em 1950, viria a se constituir, nesse sentido, em uma rara oportunidade. Contudo, na decis\u00e3o contra o Uruguai sobreveio o inesperado rev\u00e9s. As cr\u00f4nicas esportivas elegiam o goleiro Barbosa e o defensor Bigode como bodes expiat\u00f3rios, &#8220;descarregando nas costas&#8221; dos jogadores os &#8220;preju\u00edzos&#8221; da derrota. Uma chibata moral, eis a seten\u00e7a proferida no tribual dos brancos. Nos anos 1970, por n\u00e3o atender \u00e0s expectativas normativas suscitadas pelo estere\u00f3tipo do &#8220;bom negro&#8221;, Paulo C\u00e9sar Lima foi classificado como &#8220;jogador-problema&#8221;. Ele esbo\u00e7ava a revolta da chibata no futebol brasileiro. Enquanto Barbosa e Bigode, sem alternativa, suportaram o linchamento moral na derrota de 1950, Paulo C\u00e9sar contra-atacava os que pretendiam conden\u00e1-lo pelo insucesso de 1974. O jogador assumia as cores e as causas defendidas pela esquadra dos pretos em todas as esferas da vida social. &#8220;Sinto na pele esse racismo subjacente&#8221;, revelou \u00e0 imprensa francesa: &#8220;Isto \u00e9, ningu\u00e9m ousa pronunciar a palavra &#8216;racismo&#8221;. Mas posso garantir que ele existe, mesmo na Sele\u00e7\u00e3o Brasileira&#8221;. Sua ousadia consistiu em pronunciar a palavra interdita no espa\u00e7o simb\u00f3lico do discurso oficial para reafirmar o mito da democracia racial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">Dispon\u00edvel em: https:\/\/observatorioracialfutebol.com.br. Acesso em: 22 jun. 2019 (adaptado).<\/p>\n\n\n\n<p>O texto atribui o enfraquecimento do mito da democracia racial no futebol \u00e0<\/p>\n\n\n\n<p>A) responsabiliza\u00e7\u00e3o de jogadores negros pela derrota na final da Copa de 1950.<\/p>\n\n\n\n<p>B) proje\u00e7\u00e3o mundial da na\u00e7\u00e3o por um esporte antes destinado aos pobres.<\/p>\n\n\n\n<p>C) deprecia\u00e7\u00e3o de um esporte associado \u00e0 marginalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>D) interdi\u00e7\u00e3o da palavra &#8220;racismo&#8221; no contexto esportivo.<\/p>\n\n\n\n<p>E) atitude contestadora de um &#8220;jogador-problema&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Solu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No texto, o autor questiona por que apenas jogadores negros foram culpados pela derrota naquela Copa, incentivando o leitor a refletir sobre a ideia de um \u201cjogador-problema\u201d, que \u00e9 claramente associada a uma quest\u00e3o racial. Ao mencionar a atitude de Paulo C\u00e9sar Lima e referi-lo como um \u201cjogador-problema\u201d, o texto desafia o &#8220;mito da democracia racial no futebol&#8221;, destacando o posicionamento do jogador contra o racismo no esporte.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Alternativa E<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria do futebol brasileiro cont\u00e9m, ao longo de um s\u00e9culo, registros de epis\u00f3dios racistas. Eis o paradoxo: se, de um lado, a atividade futebol\u00edstica era depreciada aos olhos da &#8220;boa sociedade&#8221; como profiss\u00e3o destinada aos pobres, negros e marginais, de outro, achava-se investida do poder de representar e projetar a na\u00e7\u00e3o em escala mundial. 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