{"id":13576,"date":"2024-09-10T13:30:44","date_gmt":"2024-09-10T16:30:44","guid":{"rendered":"https:\/\/xequematenem.com.br\/blog\/?p=13576"},"modified":"2024-09-10T13:30:45","modified_gmt":"2024-09-10T16:30:45","slug":"questao-110-enem-2016","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xequematenem.com.br\/blog\/questao-110-enem-2016\/","title":{"rendered":"Quest\u00e3o 110 &#8211; ENEM 2016"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>P\u00e9rolas absolutas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1, no seio de uma ostra, um movimento \u2013 ainda que impercept\u00edvel. Qualquer coisa imiscuiu-se pela fissura, uma part\u00edcula qualquer, diminuta e invis\u00edvel. Venceu as paredes&nbsp;lacradas, que se fecham como a boca que tem medo de deixar escapar um segredo. Venceu. E agora penetra o n\u00facleo da ostra, contaminando-lhe a pr\u00f3pria subst\u00e2ncia. A ostra reage, imediatamente. E come\u00e7a a secretar o n\u00e1car. \u00c9 um mecanismo de defesa, uma tentativa de purifica\u00e7\u00e3o contra a part\u00edcula invasora. Com uma paci\u00eancia de fundo de mar, a ostra profanada continua seu trabalho incans\u00e1vel, secretando por anos a fio o n\u00e1car que aos poucos se vai solidificando. \u00c9 dessa solidifica\u00e7\u00e3o que nascem as p\u00e9rolas.<\/p>\n\n\n\n<p>As p\u00e9rolas s\u00e3o, assim, o resultado de uma contamina\u00e7\u00e3o. A arte por vezes tamb\u00e9m. A arte \u00e9 quase sempre a transforma\u00e7\u00e3o da dor. [&#8230;] Escrever \u00e9 preciso. \u00c9 preciso continuar secretando o n\u00e1car, formar a p\u00e9rola que talvez seja imperfeita, que talvez jamais seja encontrada e viva para sempre encerrada no fundo do mar. Talvez estas, as p\u00e9rolas esquecidas, jamais achadas, as p\u00e9rolas intocadas e por isso absolutas em si mesmas, guardem em si uma parcela faiscante da eternidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">SEIXAS, H. Uma ilha chamada livro. Rio de Janeiro: Record, 2009 (fragmento).<\/p>\n\n\n\n<p>Considerando os aspectos est\u00e9ticos e sem\u00e2nticos presentes no texto, a imagem da p\u00e9rola configura uma percep\u00e7\u00e3o que<\/p>\n\n\n\n<p>A) refor\u00e7a o valor do sofrimento e do esquecimento para o processo criativo.<\/p>\n\n\n\n<p>B) ilustra o conflito entre a procura do novo e a rejei\u00e7\u00e3o ao elemento ex\u00f3tico.<\/p>\n\n\n\n<p>C) concebe a cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria como trabalho progressivo e de autoconhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>D) expressa a ideia de atividade po\u00e9tica como experi\u00eancia an\u00f4nima e involunt\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>E) destaca o efeito introspectivo gerado pelo contato com o inusitado e com o desconhecido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-large-font-size\"><strong>Solu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No texto, o autor compara o processo de cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de uma p\u00e9rola, destacando o car\u00e1ter progressivo e involunt\u00e1rio desse ato. Assim como a ostra secreta o n\u00e1car ao ser contaminada por um gr\u00e3o de areia, transformando-o em p\u00e9rola, o artista cria a partir da dor e da experi\u00eancia. A met\u00e1fora da p\u00e9rola reflete o tempo e o esfor\u00e7o necess\u00e1rios para produzir algo valioso, mesmo que o resultado, tal como uma p\u00e9rola esquecida no fundo do mar, possa nunca ser descoberto. Essa compara\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m abrange o fato de que muitas obras liter\u00e1rias permanecem an\u00f4nimas ou n\u00e3o reconhecidas, como p\u00e9rolas que permanecem ocultas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Alternativa C<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00e9rolas absolutas H\u00e1, no seio de uma ostra, um movimento \u2013 ainda que impercept\u00edvel. Qualquer coisa imiscuiu-se pela fissura, uma part\u00edcula qualquer, diminuta e invis\u00edvel. Venceu as paredes&nbsp;lacradas, que se fecham como a boca que tem medo de deixar escapar um segredo. Venceu. 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