{"id":13779,"date":"2024-09-10T16:27:43","date_gmt":"2024-09-10T19:27:43","guid":{"rendered":"https:\/\/xequematenem.com.br\/blog\/?p=13779"},"modified":"2024-09-10T16:27:45","modified_gmt":"2024-09-10T19:27:45","slug":"questao-112-enem-2016","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xequematenem.com.br\/blog\/questao-112-enem-2016\/","title":{"rendered":"Quest\u00e3o 112 &#8211; ENEM 2016"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Galinha cega<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O dono correu atr\u00e1s de sua branquinha, agarrou-a, lhe examinou os olhos. Estavam direitinhos, gra\u00e7as a Deus, e muito pretos. Soltou-a no terreiro e lhe atirou mais milho. A galinha continuou a bicar o ch\u00e3o desorientada. Atirou ainda mais, com paci\u00eancia, at\u00e9 que ela se fartasse. Mas n\u00e3o conseguiu com o gasto de milho, de que as outras se aproveitaram, atinar com a origem daquela desorienta\u00e7\u00e3o. Que \u00e9 que seria aquilo, meu Deus do c\u00e9u? Se fosse efeito de uma pedrada na cabe\u00e7a e se soubesse quem havia mandado a pedra, algum moleque da vizinhan\u00e7a, a\u00ed&#8230; Nem por sombra imaginou que era a cegueira irremedi\u00e1vel que principiava.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m a galinha, coitada, n\u00e3o compreendia nada, absolutamente nada daquilo. Por que n\u00e3o vinham mais os dias luminosos em que procurava a sombra das pitangueiras? Sentia ainda o calor do sol, mas tudo quase sempre t\u00e3o escuro. Quase que j\u00e1 n\u00e3o sabia onde \u00e9 que estava a luz, onde \u00e9 que estava a sombra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">GUIMARAENS, J. A.&nbsp;<strong>Contos e novelas<\/strong>. Rio de Janeiro: Imago, 1976 (fragmento).<\/p>\n\n\n\n<p>Ao apresentar uma cena em que um menino atira milho \u00e0s galinhas e observa com aten\u00e7\u00e3o uma delas, o narrador explora um recurso que conduz a uma expressividade fundamentada na<\/p>\n\n\n\n<p>A) captura de elementos da vida rural, de fei\u00e7\u00f5es peculiares.<\/p>\n\n\n\n<p>B) caracteriza\u00e7\u00e3o de um quintal de s\u00edtio, espa\u00e7o de descobertas.<\/p>\n\n\n\n<p>C) confus\u00e3o intencional da marca\u00e7\u00e3o do tempo, centrado na inf\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>D) apropria\u00e7\u00e3o de diferentes pontos de vista, incorporados afetivamente.<\/p>\n\n\n\n<p>E) fragmenta\u00e7\u00e3o do conflito gerador, distendido como apoio \u00e0 emotividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-large-font-size\"><strong>Solu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O texto utiliza dois pontos de vista distintos para explorar a situa\u00e7\u00e3o da galinha cega. No primeiro par\u00e1grafo, o narrador adota a perspectiva do dono da galinha, que cuida dela com afeto e preocupa\u00e7\u00e3o. No segundo, a narrativa assume o ponto de vista da pr\u00f3pria galinha, expressando sua confus\u00e3o e dificuldade em compreender sua cegueira e o ambiente ao redor. Essa altern\u00e2ncia de perspectivas permite ao leitor uma imers\u00e3o afetiva tanto na vis\u00e3o do menino quanto na percep\u00e7\u00e3o da galinha, ampliando a expressividade do texto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Alternativa D<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Galinha cega O dono correu atr\u00e1s de sua branquinha, agarrou-a, lhe examinou os olhos. Estavam direitinhos, gra\u00e7as a Deus, e muito pretos. Soltou-a no terreiro e lhe atirou mais milho. A galinha continuou a bicar o ch\u00e3o desorientada. Atirou ainda mais, com paci\u00eancia, at\u00e9 que ela se fartasse. 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