{"id":15578,"date":"2024-09-16T09:35:57","date_gmt":"2024-09-16T12:35:57","guid":{"rendered":"https:\/\/xequematenem.com.br\/blog\/?p=15578"},"modified":"2024-09-16T09:35:59","modified_gmt":"2024-09-16T12:35:59","slug":"questao-110-enem-2012","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xequematenem.com.br\/blog\/questao-110-enem-2012\/","title":{"rendered":"Quest\u00e3o 110 &#8211; ENEM 2012"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Cabeludinho<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando a V\u00f3 me recebeu nas f\u00e9rias, ela me apresentou aos amigos: Este \u00e9 meu neto. Ele foi estudar no Rio e voltou de ateu. Ela disse que eu voltei de ateu. Aquela preposi\u00e7\u00e3o deslocada me fantasiava de ateu. Como quem dissesse no Carnaval: aquele menino est\u00e1 fantasiado de palha\u00e7o. Minha av\u00f3 entendia de reg\u00eancias verbais. Ela falava de s\u00e9rio. Mas todo-mundo riu. Porque aquela preposi\u00e7\u00e3o deslocada podia fazer de uma informa\u00e7\u00e3o um chiste. E fez. E mais: eu acho que buscar a beleza nas palavras \u00e9 uma solenidade de amor. E pode ser instrumento de rir. De outra feita, no meio da pelada um menino gritou: Disilimina esse, Cabeludinho. Eu n\u00e3o disiliminei ningu\u00e9m. Mas aquele verbo novo trouxe um perfume de poesia \u00e0 nossa quadra. Aprendi&nbsp;nessas f\u00e9rias a brincar de palavras mais do que trabalhar com elas. Comecei a n\u00e3o gostar de palavra engavetada. Aquela que n\u00e3o pode mudar de lugar. Aprendi a gostar mais das palavras pelo que elas entoam do que pelo que elas informam. Por depois ouvi um vaqueiro a cantar com saudade: Ai morena, n\u00e3o me escreve \/ que eu n\u00e3o sei a ler. Aquele a preposto ao verbo ler, ao meu ouvir, ampliava a solid\u00e3o do vaqueiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">BARROS, M.&nbsp;<strong>Mem\u00f3rias inventadas<\/strong>: a inf\u00e2ncia. S\u00e3o Paulo: Planeta, 2003.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No texto, o autor desenvolve uma reflex\u00e3o sobre diferentes possibilidades de uso da l\u00edngua e sobre os sentidos que esses usos podem produzir, a exemplo das express\u00f5es \u201cvoltou de ateu\u201d, \u201cdisilimina esse\u201d e \u201ceu n\u00e3o sei a ler\u201d. Com essa reflex\u00e3o, o autor destaca<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) os desvios lingu\u00edsticos cometidos pelos personagens do texto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) a import\u00e2ncia de certos fen\u00f4menos gramaticais para o conhecimento da l\u00edngua portuguesa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) a distin\u00e7\u00e3o clara entre a norma culta e as outras variedades lingu\u00edsticas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) o relato fiel de epis\u00f3dios vividos por Cabeludinho durante as suas f\u00e9rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) a valoriza\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o l\u00fadica e po\u00e9tica presente nos usos coloquiais da linguagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-large-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Solu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As cria\u00e7\u00f5es lingu\u00edsticas apresentadas pelo autor ilustram a &#8220;dimens\u00e3o l\u00fadica e po\u00e9tica&#8221; da linguagem popular, ao destacar express\u00f5es que, embora fora da norma culta, s\u00e3o carregadas de significado e compreens\u00edveis no contexto comunicativo. O autor reflete sobre o uso criativo da linguagem, valorizando sua capacidade de transmitir emo\u00e7\u00f5es e ideias de forma espont\u00e2nea e po\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Alternativa E<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cabeludinho Quando a V\u00f3 me recebeu nas f\u00e9rias, ela me apresentou aos amigos: Este \u00e9 meu neto. Ele foi estudar no Rio e voltou de ateu. Ela disse que eu voltei de ateu. Aquela preposi\u00e7\u00e3o deslocada me fantasiava de ateu. Como quem dissesse no Carnaval: aquele menino est\u00e1 fantasiado de palha\u00e7o. 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