{"id":16015,"date":"2024-09-17T20:22:35","date_gmt":"2024-09-17T23:22:35","guid":{"rendered":"https:\/\/xequematenem.com.br\/blog\/?p=16015"},"modified":"2024-09-17T20:22:37","modified_gmt":"2024-09-17T23:22:37","slug":"questao-129-enem-2010","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xequematenem.com.br\/blog\/questao-129-enem-2010\/","title":{"rendered":"Quest\u00e3o 129 &#8211; ENEM 2010"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Negrinha<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Negrinha era uma pobre \u00f3rf\u00e3 de sete anos. Preta? N\u00e3o; fusca, mulatinha escura, de cabelos ru\u00e7os e olhos assustados.<\/p>\n\n\n\n<p>Nascera na senzala, de m\u00e3e escrava, e seus primeiros anos vivera-os pelos cantos escuros da cozinha, sobre velha esteira e trapos imundos. Sempre escondida, que a patroa n\u00e3o gostava de crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Excelente senhora, a patroa. Gorda, rica, dona do mundo, amimada dos padres, com lugar certo na igreja e camarote de luxo reservado no c\u00e9u. Entaladas as banhas no trono (uma cadeira de balan\u00e7o na sala de jantar), ali bordava, recebia as amigas e o vig\u00e1rio, dando audi\u00eancias, discutindo o tempo. Uma virtuosa senhora em suma \u2013 &#8220;dama de grandes virtudes apost\u00f3licas, esteio da religi\u00e3o e da moral&#8221;, dizia o reverendo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00d3tima, a dona In\u00e1cia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas n\u00e3o admitia choro de crian\u00e7a. Ai! Punha-lhe os nervos em carne viva.<\/p>\n\n\n\n<p>[&#8230;]<\/p>\n\n\n\n<p>A excelente dona In\u00e1cia era mestra na arte de judiar de crian\u00e7as. Vinha da escravid\u00e3o, fora senhora de escravos \u2013 e daquelas ferozes, amigas de ouvir cantar o bolo e estalar o bacalhau. Nunca se afizera ao regime novo \u2013 essa indec\u00eancia de negro igual.<\/p>\n\n\n\n<p><small>LOBATO, M. Negrinha. In: MORICONE, I.&nbsp;<strong>Os cem melhores contos brasileiros do s\u00e9culo.<\/strong>&nbsp;Rio de Janeiro: Objetiva, 2000 (fragmento).<\/small><\/p>\n\n\n\n<p>A narrativa focaliza um momento hist\u00f3rico-social de valores contradit\u00f3rios. Essa contradi\u00e7\u00e3o infere-se, no contexto, pela<\/p>\n\n\n\n<p>A) falta de aproxima\u00e7\u00e3o entre a menina e a senhora, preocupada com as amigas.<\/p>\n\n\n\n<p>B) receptividade da senhora para com os padres, mas deselegante para com as beatas.<\/p>\n\n\n\n<p>C) ironia do padre a respeito da senhora, que era perversa com as crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>D) resist\u00eancia da senhora em aceitar a liberdade dos negros, evidenciada no final do texto.<\/p>\n\n\n\n<p>E) rejei\u00e7\u00e3o aos criados por parte da senhora, que preferia trat\u00e1-los com castigos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-large-font-size\"><strong>Solu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A contradi\u00e7\u00e3o no texto se revela na postura de Dona In\u00e1cia, que, apesar de ser vista como uma pessoa virtuosa e defensora da moral e religi\u00e3o, mant\u00e9m uma vis\u00e3o cruel e resistente \u00e0 aboli\u00e7\u00e3o, como mostrado na frase &#8220;Nunca se afizera ao regime novo \u2013 essa indec\u00eancia de negro igual&#8221;. Monteiro Lobato utiliza ironia ao destacar essa incoer\u00eancia, mostrando como os atos de Dona In\u00e1cia contradizem a imagem de virtuosidade que a sociedade lhe atribu\u00eda.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Alternativa D<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Negrinha Negrinha era uma pobre \u00f3rf\u00e3 de sete anos. Preta? N\u00e3o; fusca, mulatinha escura, de cabelos ru\u00e7os e olhos assustados. Nascera na senzala, de m\u00e3e escrava, e seus primeiros anos vivera-os pelos cantos escuros da cozinha, sobre velha esteira e trapos imundos. Sempre escondida, que a patroa n\u00e3o gostava de crian\u00e7as. Excelente senhora, a patroa. 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