{"id":17930,"date":"2024-09-24T11:03:53","date_gmt":"2024-09-24T14:03:53","guid":{"rendered":"https:\/\/xequematenem.com.br\/blog\/?p=17930"},"modified":"2024-09-24T11:03:54","modified_gmt":"2024-09-24T14:03:54","slug":"questao-31-enem-ppl-2017","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xequematenem.com.br\/blog\/questao-31-enem-ppl-2017\/","title":{"rendered":"Quest\u00e3o 031 &#8211; ENEM PPL 2017"},"content":{"rendered":"\n<p>A madrasta retalhava um tomate em fatias, assim finas, capaz de envenenar a todos. Era poss\u00edvel entrever o arroz branco do outro lado do tomate, tamanha a sua transpar\u00eancia. Com a saudade evaporando pelos olhos, eu insistia em justificar a economia que administrava seus gestos. Afiando a faca no cimento frio da pia, ela cortava o tomate vermelho, sangu\u00edneo, maduro, como se degolasse cada um de n\u00f3s. Seis. O pai, amparado pela prateleira da cozinha, com o suor desinfetando o ar, tamanho o cheiro do \u00e1lcool, reparava na fome dos filhos. Enxergava o manejo da faca desafiando o tomate e, por certo, nos pensava devorados pelo vento ou tempestade, segundo decretava a nova mulher. Todos os dias \u2014 cotidianamente \u2014 havia tomate para o almo\u00e7o. Eles germinavam em todas as esta\u00e7\u00f5es. Jabuticaba, manga, laranja, floresciam cada uma em seu tempo. Tomate, n\u00e3o. Ele frutificava, continuamente, sem demandar adubo al\u00e9m do ci\u00fame. Eu desconhecia se era mais importante o tomate ou o ritual de cort\u00e1-lo. As fatias delgadas escreviam um \u00f3dio e s\u00f3 aqueles que se sentem intrusos ao amor podem tragar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">QUEIR\u00d3S, B. C.&nbsp;<strong>Vermelho amargo.<\/strong>&nbsp;S\u00e3o Paulo: Cosac &amp; Naify, 2011.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao recuperar a mem\u00f3ria da inf\u00e2ncia, o narrador destaca a import\u00e2ncia do tomate nos almo\u00e7os da fam\u00edlia e a a\u00e7\u00e3o da madrasta ao prepar\u00e1-lo. A insist\u00eancia nessa imagem \u00e9 um procedimento est\u00e9tico que evidencia a<\/p>\n\n\n\n<p>A) saudade do menino em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua m\u00e3e.<\/p>\n\n\n\n<p>B) inseguran\u00e7a do pai diante da fome dos filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>C) raiva da madrasta pela indiferen\u00e7a do marido.<\/p>\n\n\n\n<p>D) resist\u00eancia das crian\u00e7as quanto ao carinho da madrasta.<\/p>\n\n\n\n<p>E) conviv\u00eancia conflituosa entre o menino e a esposa do pai.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-large-font-size\"><strong>Solu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O texto descreve, de maneira simb\u00f3lica, a tens\u00e3o entre o menino e a madrasta, usando o ato de cortar o tomate como uma met\u00e1fora para o \u00f3dio e o ressentimento na rela\u00e7\u00e3o entre eles. O manejo da faca e a economia r\u00edgida das fatias de tomate refletem a hostilidade da madrasta, enquanto o narrador expressa sua sensa\u00e7\u00e3o de ser um intruso no amor da nova mulher. Isso revela o ambiente de conviv\u00eancia conflituosa e distante entre o menino e a esposa do pai.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Alternativa E<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A madrasta retalhava um tomate em fatias, assim finas, capaz de envenenar a todos. Era poss\u00edvel entrever o arroz branco do outro lado do tomate, tamanha a sua transpar\u00eancia. Com a saudade evaporando pelos olhos, eu insistia em justificar a economia que administrava seus gestos. 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