{"id":18008,"date":"2024-09-24T21:55:52","date_gmt":"2024-09-25T00:55:52","guid":{"rendered":"https:\/\/xequematenem.com.br\/blog\/?p=18008"},"modified":"2024-10-09T11:04:12","modified_gmt":"2024-10-09T14:04:12","slug":"questao-33-enem-ppl-2021","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xequematenem.com.br\/blog\/questao-33-enem-ppl-2021\/","title":{"rendered":"Quest\u00e3o 033 &#8211; ENEM PPL 2021"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>O Bom-Crioulo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, Bom-Crioulo n\u00e3o era somente um homem robusto, uma dessas organiza\u00e7\u00f5es privilegiadas que trazem no corpo a sobranceira resist\u00eancia do bronze e que esmagam com o peso dos m\u00fasculos. [\u2026] A chibata n\u00e3o lhe fazia mossa; tinha costas de ferro para resistir como um h\u00e9rcules ao pulso do guardi\u00e3o Agostinho. J\u00e1 nem se lembrava do n\u00famero das vezes que apanhara de chibata\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>[\u2026]<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, j\u00e1 iam cinquenta chibatadas! Ningu\u00e9m lhe ouvira um gemido, nem percebera uma contor\u00e7\u00e3o, um gesto qualquer de dor. Viam-se unicamente naquele cost\u00e3o negro as marcas do junco, umas sobre as outras, entrecruzando-se como uma grande teia de aranha, roxas e latejantes, cortando a pele em todos os sentidos.<\/p>\n\n\n\n<p>[\u2026]<\/p>\n\n\n\n<p>Marinheiros e oficiais, num sil\u00eancio concentrado, alongavam o olhar, cheios de interesse, a cada golpe.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Cento e cinquenta!<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 ent\u00e3o houve quem visse um ponto vermelho, uma gota rubra deslizar no espinha\u00e7o negro do marinheiro e logo este ponto vermelho se transformar numa fita de sangue.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\">CAMINHA, A. O Bom-Crioulo. S\u00e3o Paulo: Martin Claret, 2006.<\/p>\n\n\n\n<p>A prosa naturalista incorpora concep\u00e7\u00f5es geradas pelo cientificismo e pelo determinismo. No fragmento, a cena de tortura a Bom-Crioulo reproduz essas concep\u00e7\u00f5es, expressas pela&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A) exalta\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia inata para legitimar a explora\u00e7\u00e3o de uma etnia.<br>B) defesa do estoicismo individual como forma de supera\u00e7\u00e3o das adversidades.<br>C) concep\u00e7\u00e3o do ser humano como uma esp\u00e9cie predadora e afeita \u00e0 morbidez.<br>D) observa\u00e7\u00e3o detalhada do corpo para a identifica\u00e7\u00e3o de caracter\u00edsticas de ra\u00e7a.<br>E) apologia \u00e0 superioridade dos organismos saud\u00e1veis para a sobreviv\u00eancia da esp\u00e9cie.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-large-font-size\"><strong>Solu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No fragmento, o personagem Bom-Crioulo, descrito com um corpo excepcionalmente forte e resistente, suporta a tortura sem demonstrar dor. Essa descri\u00e7\u00e3o, caracter\u00edstica do naturalismo, reflete a concep\u00e7\u00e3o determinista de que certas etnias ou grupos sociais s\u00e3o biologicamente mais fortes ou aptos a resistir \u00e0 explora\u00e7\u00e3o, o que serve, de forma impl\u00edcita, para justificar a opress\u00e3o e a viol\u00eancia sofridas por esses grupos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Alternativa A<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Bom-Crioulo Com efeito, Bom-Crioulo n\u00e3o era somente um homem robusto, uma dessas organiza\u00e7\u00f5es privilegiadas que trazem no corpo a sobranceira resist\u00eancia do bronze e que esmagam com o peso dos m\u00fasculos. [\u2026] A chibata n\u00e3o lhe fazia mossa; tinha costas de ferro para resistir como um h\u00e9rcules ao pulso do guardi\u00e3o Agostinho. 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