{"id":18244,"date":"2024-09-26T09:33:11","date_gmt":"2024-09-26T12:33:11","guid":{"rendered":"https:\/\/xequematenem.com.br\/blog\/?p=18244"},"modified":"2024-09-26T09:33:12","modified_gmt":"2024-09-26T12:33:12","slug":"questao-109-enem-ppl-2015","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xequematenem.com.br\/blog\/questao-109-enem-ppl-2015\/","title":{"rendered":"Quest\u00e3o 109 &#8211; ENEM PPL 2015"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Famigerado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com arranco, [o sertanejo] calou-se. Como arrependido de ter come\u00e7ado assim, de evidente. Contra que a\u00ed estava com o f\u00edgado em m\u00e1s margens; pensava, pensava. Cabismeditado. Do que, se resolveu. Levantou as fei\u00e7\u00f5es. Se \u00e9 que se riu: aquela crueldade de dentes. Encarar, n\u00e3o me encarava, s\u00f3 se fito \u00e0 meia esguelha. Latejava-lhe um orgulho indeciso. Redigiu seu monologar.<br>O que frouxo falava: de outras, diversas pessoas e coisas, da Serra, do S\u00e3o \u00c3o, travados assuntos, insequentes, como dificulta\u00e7\u00e3o. A conversa era para teias de aranha. Eu tinha de entender-lhe as m\u00ednimas entona\u00e7\u00f5es, seguir seus prop\u00f3sitos e sil\u00eancios. Assim no fechar-se com o jogo, sonso, no me iludir, ele enigmava. E, p\u00e1:<br>\u2013 Vosmec\u00ea agora me fa\u00e7a a boa obra de querer me ensinar o que \u00e9 mesmo que \u00e9: fasmisgerado&#8230; faz-me-gerado&#8230; falmisgeraldo&#8230; familhas-gerado&#8230;?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><small>ROSA, J. G.&nbsp;<em>Primeiras est\u00f3rias<\/em>. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988.&nbsp;<\/small><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>A linguagem peculiar \u00e9 um dos aspectos que conferem a Guimar\u00e3es Rosa um lugar de destaque na literatura brasileira. No fragmento lido, a tens\u00e3o entre a personagem e o narrador se estabelece porque<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) o narrador se cala, pensa e monologa, tentando assim evitar a perigosa pergunta de seu interlocutor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) o sertanejo emprega um discurso cifrado, com enigmas, como se v\u00ea em \u201ca conversa era para teias de aranhas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) entre os dois homens cria-se uma comunica\u00e7\u00e3o imposs\u00edvel, decorrente de suas diferen\u00e7as socioculturais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) a fala do sertanejo \u00e9 interrompida pelo gesto de impaci\u00eancia do narrador, decidido a mudar o assunto da conversa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) a palavra desconhecida adquire o poder de gerar conflito e separar as personagens em planos incomunic\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-large-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Solu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No texto de Guimar\u00e3es Rosa, a tens\u00e3o entre a personagem sertanejo e o narrador surge a partir da dificuldade de comunica\u00e7\u00e3o, causada pela palavra desconhecida &#8220;famigerado&#8221;. O sertanejo tenta, sem sucesso, pronunciar a palavra corretamente, o que gera um distanciamento entre ele e o narrador. A palavra, por ser incompreendida e de dif\u00edcil pron\u00fancia, adquire um poder simb\u00f3lico, criando uma barreira que separa os dois personagens em planos distintos, onde a comunica\u00e7\u00e3o se torna dif\u00edcil e enigm\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Alternativa E<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Famigerado Com arranco, [o sertanejo] calou-se. Como arrependido de ter come\u00e7ado assim, de evidente. Contra que a\u00ed estava com o f\u00edgado em m\u00e1s margens; pensava, pensava. Cabismeditado. Do que, se resolveu. Levantou as fei\u00e7\u00f5es. Se \u00e9 que se riu: aquela crueldade de dentes. Encarar, n\u00e3o me encarava, s\u00f3 se fito \u00e0 meia esguelha. 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