{"id":20455,"date":"2024-11-12T14:04:48","date_gmt":"2024-11-12T17:04:48","guid":{"rendered":"https:\/\/xequematenem.com.br\/blog\/?p=20455"},"modified":"2024-11-13T21:15:37","modified_gmt":"2024-11-14T00:15:37","slug":"questao-30-enem-2024","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xequematenem.com.br\/blog\/questao-30-enem-2024\/","title":{"rendered":"Quest\u00e3o 030 \u2013 ENEM 2024"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>TEXTO I<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A 13 de fevereiro de 1946, Graciliano Ramos escreve uma carta a C\u00e2ndido Portinari relembrando uma visita que lhe fizera quando tivera a ocasi\u00e3o de apreciar algumas telas da s\u00e9rie Retirantes. Diz o escritor alagoano:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Car\u00edssimo Portinari:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sua carta chegou muito atrasada, e receio que esta resposta j\u00e1 n\u00e3o o ache fixando na tela a nossa pobre gente da ro\u00e7a. N\u00e3o h\u00e1 trabalho mais digno, penso eu. Dizem que somos pessimistas e exibimos deforma\u00e7\u00f5es; contudo, as deforma\u00e7\u00f5es e essa mis\u00e9ria existem fora da arte e s\u00e3o cultivadas pelos que nos censuram. [&#8230;]<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dos quadros que voc\u00ea me mostrou quando almocei no Cosme Velho pela \u00faltima vez, o que mais me comoveu foi aquela m\u00e3e com a crian\u00e7a morta. Sa\u00ed de sua casa com um pensamento horr\u00edvel: numa sociedade sem classes e sem mis\u00e9ria, seria poss\u00edvel fazer-se aquilo? Numa vida tranquila e feliz, que esp\u00e9cie de arte surgiria? Chego a pensar que ter\u00edamos cromos, anjinhos cor-de-rosa, e isto me horroriza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Graciliano<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Dispon\u00edvel em: https:\/\/graciliano.com.br. Acesso em: 6 fev. 2024 (adaptado).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>TEXTO II<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Hist\u00f3rias de ninar (adultos)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Houve um tempo \u2013 t\u00e3o perto, e, \u00f3, t\u00e3o longe \u2013 em que a arte era um holofote na unha encravada, n\u00e3o um campeonato de melhores esmaltes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Raskolnikov matava velhinhas, a fam\u00edlia de Gregor Samsa o assassinava a \u201cma\u00e7\u00e3zadas\u201d, Mem\u00f3rias p\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas (Machado de Assis) \u00e9 o retrato mais perfeito de tudo o que tem de pior na sociedade brasileira, uma sequ\u00eancia tristemente hil\u00e1ria de a\u00e7\u00f5es moralmente conden\u00e1veis, atitudes pusil\u00e2nimes, c\u00e1lculos mesquinhos e maus passos cretinos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A literatura, o cinema e o teatro v\u00eam se transformando num exerc\u00edcio de lacra\u00e7\u00e3o: o mal est\u00e1 sempre no outro, os protagonistas s\u00e3o ironmen\/women da virtude. A pessoa sai da leitura ou da sess\u00e3o n\u00e3o com a guarda abaixada, as certezas abaladas, mais pr\u00f3xima da verdade (ou, \u00e0 falta de uma palavra melhor, da sinceridade): sai com suas certezas refor\u00e7adas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A realidade \u00e9 confusa. Contradit\u00f3ria. Muitas vezes incompreens\u00edvel. A arte \u00e9 onde tentamos nos mostrar nus, com todos os nossos defeitos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">PRATA, A. Dispon\u00edvel em: www1.folha.uol.com.br. Acesso em: 12 jan. 2024 (adaptado).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No que diz respeito \u00e0 arte, o posicionamento de Ant\u00f4nio Prata, no Texto II, aproxima-se da tese de Graciliano Ramos, no Texto I, uma vez que ambos<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) defendem a dignidade do of\u00edcio dos artistas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) concluem que a arte refor\u00e7a cren\u00e7as pessoais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) apresentam a pobreza como inspira\u00e7\u00e3o para a arte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) afirmam o necess\u00e1rio car\u00e1ter desestabilizador da arte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) atestam que h\u00e1 mudan\u00e7as significativas na produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-large-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Solu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tanto no Texto I quanto no Texto II, os autores destacam que a arte deve provocar uma reflex\u00e3o profunda e desconstruir as certezas do p\u00fablico. Graciliano Ramos, ao se referir \u00e0 s\u00e9rie <em>Retirantes<\/em> de Portinari, sugere que a arte, ao mostrar as mis\u00e9rias e deforma\u00e7\u00f5es da sociedade, cumpre um papel cr\u00edtico e desestabilizador. Ele questiona que tipo de arte surgiria em uma sociedade sem problemas sociais e afirma que uma arte &#8220;feliz&#8221; poderia resultar em banalidades, como &#8220;anjinhos cor-de-rosa&#8221;. J\u00e1 Ant\u00f4nio Prata, no Texto II, critica a arte moderna por se afastar dessa fun\u00e7\u00e3o desestabilizadora e se tornar mais superficial, refor\u00e7ando certezas em vez de question\u00e1-las. Ambos, portanto, reconhecem a arte como um meio de provocar inquieta\u00e7\u00e3o e questionamento sobre a realidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Alternativa D<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>TEXTO I A 13 de fevereiro de 1946, Graciliano Ramos escreve uma carta a C\u00e2ndido Portinari relembrando uma visita que lhe fizera quando tivera a ocasi\u00e3o de apreciar algumas telas da s\u00e9rie Retirantes. 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