{"id":23812,"date":"2026-05-20T19:32:13","date_gmt":"2026-05-20T22:32:13","guid":{"rendered":"https:\/\/xequematenem.com.br\/blog\/?p=23812"},"modified":"2026-05-20T19:32:15","modified_gmt":"2026-05-20T22:32:15","slug":"questao-07-enem-2025","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xequematenem.com.br\/blog\/questao-07-enem-2025\/","title":{"rendered":"Quest\u00e3o 07 &#8211; ENEM 2025"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De pr\u00f3prio punho<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A escrita e suas tecnologias sofrem interessantes metamorfoses, numa ciranda que vai do simples bilhete aos originais de um livro&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estranhei muito na primeira vez que escutei a express\u00e3o \u201cde pr\u00f3prio punho\u201d. Parecia que eu ia bater em algu\u00e9m. N\u00e3o era bem o caso. Foi numa situa\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria, dessas bem burocr\u00e1ticas, e eu devia escrever algo bem breve, mas com minhas m\u00e3os. Na verdade, o que importava era a autenticidade da minha caligrafia, que \u00e0 \u00e9poca ainda era mais fluente e firme. Depois dos teclados de computador, ela rateia bastante. Minha letra, hoje, tem uma esp\u00e9cie de altern\u00e2ncia: dia sim, dia n\u00e3o, tr\u00eamula e firme, forte e fraca, mais rotunda e mais cheia de arestas. \u00c9 claro que j\u00e1 escrevi muito mais de pr\u00f3prio punho ou, numa palavra mais bonita, manuscrevi (prefiro a m\u00e3o ao punho, embora ele tamb\u00e9m seja usado na tarefa). Mas isso n\u00e3o \u00e9 um feito individual. Em larga medida, \u00e9 social. Muita gente sente o mesmo que eu, isto \u00e9, escreve bem menos usando as m\u00e3os, ou melhor, empregando algum tipo de tecnologia (l\u00e1pis, caneta etc.) para escrever com grafite ou tinta ou giz ou carv\u00e3o ou sangue e o que mais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 importante lembrar que ainda h\u00e1 gente que n\u00e3o sabe escrever neste pa\u00eds, neste planeta, mas muita gente sabe e tem um combo de tecnologias mais ou menos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para isso. Sou dessas pessoas privilegiadas que t\u00eam v\u00e1rias possibilidades, e uma delas nunca deixou de ser o uso das minhas m\u00e3os. Ainda hoje, s\u00e3o elas que batucam meu teclado de computador ou que tocam suavemente duas ou tr\u00eas telas sens\u00edveis. Mas n\u00e3o expressam mais a minha letra. No lugar, aparecem Times New Roman, Arial, Calibri e mais uma centena de \u201cletras\u201d \u00e0 minha escolha. Eu e Deus e o mundo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A despeito desse rol de chances e ferramentas para escrever, o manuscrito nunca deixou de pintar aqui e ali, muitas vezes como obriga\u00e7\u00e3o. Na escola, por exemplo, at\u00e9 hoje ele \u00e9 soberano. No Enem tamb\u00e9m. Curioso, n\u00e3o? Fico pensando em que espa\u00e7os e ocasi\u00f5es ainda uso minha letra. Olhando ao redor, na minha casa, minha letra est\u00e1 em espa\u00e7os muito delimitados e espec\u00edficos: bilhetes. Eles est\u00e3o principalmente na cozinha, em especial na porta da geladeira, a fim de manter a comunica\u00e7\u00e3o com meus coabitantes, sempre muito esquecidos ou relapsos. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 bilhetes em post its na minha mesa do escrit\u00f3rio, textinhos em garranchos por meio dos quais me comunico comigo mesma, a evitar um comportamento esquecido e relapso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No escrit\u00f3rio, costumo ser mais suave comigo mesma, mas tamb\u00e9m muito mais lac\u00f4nica, a ponto de nem eu me entender, se passar o tempo. Em todos os casos vai minha letra, menos e mais redonda, a l\u00e1pis e a tinta azul, em post its rosa-choque, colados precariamente, e todos com destino \u00e0 lixeira, em breve. Justo porque eles funcionam como lembretes de tarefas e coisas que devem ser vencidas e, claro, substitu\u00eddas por outras, num fluxo infinito, \u00e0s vezes ansiog\u00eanico, com que a maioria dos adultos (e mais ainda as adultas) precisa conviver.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As formas de escrever mudam, as necessidades tamb\u00e9m, e o resultado \u00e9 um elenco complexo, em que nada dispensa nada, a depender da tarefa ou da import\u00e2ncia das coisas ou de suas fun\u00e7\u00f5es, claro. A escrita e suas tecnologias incr\u00edveis v\u00e3o se reposicionando, mudando de status, numa ciranda interessante e importante que pode ser vista \u00e0 luz de certa diversidade que encontra suas oportunidades e seus efeitos, aqui e ali. N\u00e3o adianta muito pensar sempre como se tudo fosse excludente. Est\u00e3o a\u00ed minha farta comunica\u00e7\u00e3o por bilhetes, minha gaveta alegre de post its de toda cor, esperando para serem usados, e o cheque do cart\u00f3rio, em que quase tudo j\u00e1 \u00e9 digital. \u201cDo punho ao pixel\u201d n\u00e3o \u00e9 uma frase filosoficamente correta. O neg\u00f3cio \u00e9 mais \u201co punho e o pixel\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">RIBEIRO, A. E. Dispon\u00edvel em: https:\/\/rascunho.com.br. Acesso em: 16 jan. 2024 (adaptado).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O elemento que caracteriza esse texto como uma cr\u00f4nica \u00e9 a&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) defesa das opini\u00f5es da autora sobre um tema de interesse coletivo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) exposi\u00e7\u00e3o sobre o uso de tecnologias nas pr\u00e1ticas de escrita atuais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) abordagem de fatos do contexto pessoal em uma perspectiva reflexiva.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) utiliza\u00e7\u00e3o de recursos lingu\u00edsticos para a interlocu\u00e7\u00e3o direta com o leitor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) apresenta\u00e7\u00e3o de acontecimentos segundo a ordem de sucess\u00e3o no tempo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-large-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Resolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A autora parte de experi\u00eancias pessoais \u2014 a estranheza com &#8220;de pr\u00f3prio punho&#8221;, os bilhetes na geladeira, os post-its no escrit\u00f3rio \u2014 para refletir sobre as transforma\u00e7\u00f5es da escrita. Esse movimento do cotidiano individual ao reflexivo \u00e9 a marca da cr\u00f4nica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Alternativa C<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De pr\u00f3prio punho A escrita e suas tecnologias sofrem interessantes metamorfoses, numa ciranda que vai do simples bilhete aos originais de um livro&nbsp; Estranhei muito na primeira vez que escutei a express\u00e3o \u201cde pr\u00f3prio punho\u201d. Parecia que eu ia bater em algu\u00e9m. N\u00e3o era bem o caso. 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